Por: Camilla Muniz.
Sem dúvida, esta é uma profissão para quem gosta de
estar sempre nas nuvens! Ser piloto é saber conduzir uma aeronave a quilômetros
e quilômetros de altura. Mas tamanha responsabilidade tem lá suas recompensas:
imagina o que é ter a oportunidade de assistir ao pôr-do-sol ou ao luar de um
ângulo privilegiado?
Pilotar um avião, no entanto, não é igual a dirigir
um carro – requer muito mais dedicação e estudo. Tudo começa com a obtenção da
carteira de piloto privado, conhecida como brevê, uma licença para pilotar
aviões como atividade de lazer. Para conseguir o brevê, é preciso frequentar um
curso numa escola de aviação ou aeroclube e completar 40 horas de voo.
O próximo passo para quem quer se tornar um
profissional é obter a licença de piloto comercial, com a qual é permitido
trabalhar em companhias aéreas. Para isso, são exigidas 150 horas de voo. Já
para ser o comandante de uma aeronave, o piloto deve ter a licença de piloto de
linha aérea, para a qual ele precisa acumular 1.500 horas de voo! A cada etapa é
feita uma prova que testa conhecimentos técnicos em aviação, como meteorologia
e navegação, além de um exame de cheque em voo, no qual o piloto é avaliado por
um examinador da Agência Nacional de Aviação Civil.
Embora
não seja obrigatório para a formação de piloto, o curso de graduação em
Ciências Aeronáuticas é oferecido por universidades. Além de adquirir
conhecimentos em aviação, o aluno estuda disciplinas relacionadas à
administração, legislação, psicologia e mecânica. Há, ainda, a possibilidade de
seguir carreira militar e ser piloto da Força Aérea Brasileira. Para isso, é
necessário prestar concurso para ingressar em instituições como a Escola
Preparatória de Cadetes do Ar, que fica em Minas Gerais.
Agora
que você sabe quanto esforço é necessário para se tornar piloto, deve estar
imaginando como é o dia a dia desses profissionais, certo? Segundo Enio
Lourenço Dexheimer, piloto aposentado e professor da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul, a rotina e o horário de trabalho são bastante
variados. Nas companhias aéreas, o expediente começa quando o piloto se
apresenta no aeroporto para partir em mais uma missão. Além de voarem, os
pilotos participam de cursos e treinamentos para aprenderem a lidar com as
novas tecnologias da aviação. Alguns ainda desenvolvem atividades
administrativas ou assumem outras funções, como as de instrutor, simulador ou
checador de voo. E a profissão permite, também, atuação em outras áreas! Para
você ter uma ideia, um piloto pode trabalhar na aviação agrícola como
pulverizador; na aviação executiva, pilotando aeronaves particulares de grandes
empresários; em empresas de táxi aéreo; como instrutor em escolas de pilotagem
e, ainda, na aviação de garimpo.
Segundo
Enio, o mercado de aviação comercial está crescendo no Brasil e no mundo, o que
faz a carreira de piloto de avião ser promissora! Para ele, o mais legal da
profissão é a chance de conhecer lugares e culturas diferentes. “É como se
sentir um cidadão do mundo”, conta. Em 35 anos de carreira, pilotou aviões em que
estavam passageiros ilustres, como o ex-presidente Juscelino Kubitschek, a
Madre Teresa de Calcutá e até a Seleção Brasileira de Futebol. Enio foi o
comandante do voo que transportou os jogadores até a França na Copa do Mundo de
1998. Uau!
O
também piloto Renilton Alves dos Reis não conta história de gente famosa, mas
diz que a escolha da profissão foi a realização de um sonho de criança: a
vontade de alcançar o céu. Hoje, Renilton trabalha numa empresa de táxi aéreo e
faz muitas viagens, principalmente para o interior. Para ele, cada vez que o
avião pousa, a sensação é de dever cumprido:“Voar e saber que os passageiros
chegaram bem ao destino é muito gratificante”.
A fala de Renilton
nos leva a lembrar da segurança– item que, na aviação, deve estar em primeiro
lugar, não é mesmo? E para conduzir as pessoas em segurança, um piloto deve
estar sempre em dia com seus exames físicos e passar por sucessivas provas de
controle emocional. Falar inglês e ser organizado são outros requisitos
importantes na profissão. Ah! E não existe piloto cujos horários de trabalho
não atrapalhem um pouquinho a vida pessoal. Mas isso é coisa que estar nas
nuvens deve compensar... E você, já pensou se é mais para a terra ou mais para
o ar?!
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